Cada homem tem condicionamentos e graus de liberdade diferentes, por isso não se pode pedir a mesma coisa a um homem e a outro. A partir de uma conhecida parábola de Jesus (Mt 25), usa-se a expressão de que cada um tem os seus talentos que deve desenvolver, negociar com eles, e terá que prestar contas do rendimento que lhes tirou.
Os talentos são como concentrações de poder que nos permitem intervir com maior protagonismo; temos mais meios e mais possibilidades para fazer o que queiramos. É uma responsabilidade da qual prestaremos contas.
O maior talento que temos é a própria vida: esse tempo que não é infinito para desenvolver todos os outros talentos. É preciso decidir onde vamos gastar o tempo e as energias da nossa vida. É preciso fazer escolhas no momento oportuno, que pode não repetir-se (Cronos engole os seus filhos). Pode parecer doloroso abandonar outras possibilidades, mas a única maneira de realizar alguma coisa é escolher. À hora de escolher, é preciso enfocar bem as coisas: informar-se e optar entre as possibilidades reais de formação, trabalho, família, tempos livres, etc. tendo em conta capacidades, gostos, inclinações (talentos).
Temos de ser realistas e orientar as nossas ânsias de plenitude para um projeto de amor aos outros e a Deus. É nesse horizonte moral que se pode encontrar satisfação, e não em veleidades mais ou menos ingênuas e mais ou menos egoístas.
Existem também escolhas especiais que, na realidade, só são escolhas num certo sentido: às vezes, somos nós os escolhidos. São momentos da vida (encontros) em que deparamos com a pessoa que fará parte da nossa vida, e em que nasce um amor ou se forja uma amizade. Cada encontro desses é um dom, uma graça, e intuímos que durará para sempre, pois de algum modo estava preparado desde sempre (esposo, esposa, amigo, Deus).
Depois desses encontros nada fica igual, criam-se vínculos muito fortes que modificam a nossa existência. Não se deve temer esses compromissos, que são o que dá sentido, caráter e intensidade à nossa vida. É precisamente nesse compromisso de amor que o homem se realiza; é nessas grandes doações que se forja a sua plenitude. O homem está feito para amar e realizar-se no amor: sem amor - sem encontros - não existe felicidade possível.
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